Secrets (?)
22.9.09/// 9:05 AM

Naquela data, foi visitada novamente por um pensamento que sempre a cercou...

A culpa de muitos de seus problemas, ou de seus dilemas íntimos, eram obviamente provocados por ela mesma! Percebeu que a imagem que havia criado para todos, não era real, mas já tinha se tornado sólida; isso a incomodava e lhe causava um certo prazer (bobo, mas único). Analisando não somente sua vida, mas também de todos que a rodeavam, sentiu (assim como quem sente frio ou calor), que todos agiam da mesma forma, porém na hora de se expor, somente ela se mostrava por completa, enquanto os outros tentavam omitir_ muitas vezes o óbvio!

Mesmo incomodada, percebeu que possuía um triunfo, se até aquela data; ela, somente ela, tinha alcançado o 'dom' de mostrar-se sem melindres, poderia também agora ter a 'virtude' de esconder-se, mas mesmo querendo, achava essa forma, essa aparência, hipócrita demais, para quem já tinha feito tudo, experimentado de tudo, e apesar dos pesares, exibido aquilo, não com orgulho, nem medo, mas apenas como uma forma de falar a todos:

—Sim, eu sou humana... Torta em quase tudo, e por isso me acho perfeita. Pois tenho a capacidade de errar e continuar sendo eu mesma!

Mas essa frase de atuo-afirmação só era admirável em sua cabeça, em seus lábios e nos ouvidos dos "outros" pareceria a ostentação de um sentimento, para se sentir fortificada. Ela calou seus pensamentos; viu que não adiantava, as pessoas continuariam a vê-la daquela forma, imaginariam seus detalhes, e tentariam codificar da mesma forma as suas entrelinhas. A única saída era "perdoar-se", já que no fundo ela se aceitava com seus erros, seus pecados_ intrínsecos; não podia odiar-se, por não manter uma pose como a dos outros. Aceitou-se. Apenas sentiu uma dor quando seu 'eu' lhe aconselhou:

—A partir de hoje apenas não conte detalhes, não sacie a curiosidade alheia. A imaginação dos outros já é difamatória o bastante!

Sorriu.