Óbvio... não-óbvio
31.8.09/// 8:43 AM

... O máximo que tinham feito até aquela data fora apenas trocar palavras superficiais. Mas naquela noite, não se sabe, se foi o fato de dividirem o estimulante, o 'confidente', ou as palavras regadas a álcool uma no ouvido da outra; mas ali nascia a amizade entre B. e K., o que para muitos era uma ironia, e para outros uma supresa (desagradável). A verdade é que nem elas mesmas sabiam se aquilo era eterno ou passageiro; mas com o tempo perceberam que mesmo suas personalidades sendo diferentes, algo não-descrito as faziam iguais. Com o tempo B. mostrou-se infeliz com suas amizades; então depois de ligações, encontros, e de fazerem retrospectivas de suas respectivas vidas, perceberam que não só tinham muito em comum, como também, uma despertava na outra, seu pior e melhor lado, na mesma intensidade.Foi com B. que K. aprendeu que "o tempo não cura nada... o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções".

E talvez foi com K. que B. percebeu que não adiantaria preservar certas amizades, que antes uma certeza, do que muitos questionamentos. E a partir deste momento, que a realidade se fez mais presente, e a capa foi tirada, para que ambas pudessem observar uma na outra, os seus verdadeiros 'eus'. A diferença foi quem as moldou, e as coincidências permaneceram nas entrelinhas, não tão escondidas, pois bastava que trocassem olhares, para se verem e sentirem-se iguais. O tempo as presenteou, não só uma com a outra, como com as futilidades de uma convivência: piadas internas, trocadilhos, códigos, maldades, e antes de tudo cumplicidade; não se tornaram pegajosas, mas sim uma mistura, onde se reconheciam, e isso bastava para que nada mais incomodasse-as. Foi numa outra noite, entre risadas, e conversas soltas resultantes dos drinks do Ritz, que uma disse a outra, aquilo que sempre a BFF diz à sua BFF:

—Homens vão e voltam, já a nossa amizade é como Chanel... é eterna!

Mesmo aquele comentário sendo fútil, elas então perceberam, que não só homens iam e voltavam, como todo o resto que forma a vida, mas que acima de tudo, a amizade é sim como Chanel: clássica, única e atemporal!