Conto de fadas de um voyeur
29.7.09/// 11:24 AM
... Em uma festa à fantasia, encontrei uma amiga, Ela era linda, jovem, e muito inocente até então; estava esperando um rapaz que dias antes havia assumido seus amores por Ela. Confusa e sem saber, alimentou essa paixão no pobre rapaz. Na verdade creio eu, que assim fez, porque na época, ainda não sabia até onde podia ir, e desconhecia o poder que possuía. Sua fantasia dramática deixava isso claro, de longe parecia assustadora, e de perto encantadora; foi justamente isso que a fez ser exergada por 'Ele'... 'Ele' era uma surpresa, se o ser apaixonado era alguém, agora era um mero plebeu, pois Ela tinha encontrado seu príncipe.
De longe a inexperiência podia ser percebida; circulando no salão e fazendo contatos, ao lado de outros contatos que se tornariam infelicidades, meu olhar sempre voltava para Ela e para 'Ele'; tudo parecia perfeito se não fosse à chegada do plebeu que ao perceber a perda da sua amada se entregou à incoerência do álcool. Foi meu primeiro exemplo claro, que grandes amores, já começam assim, com a dor de alguém.
Dias depois me deparei com Ela nos braços 'Dele'; Ela parecia estar completa, e seu sorriso agora era bobo e óbvio, seu semblante por mais bestial que fosse, era raro, poucos chegam aquele grau de amor (?). Sua confidente parecia saber claramente o que se passava, mas parecia estar mais preocupada com suas próprias vontades hedonistas...
Foi em outra noite que ao ver essa confidente encostada num bar, com um olhar meio superior e ao mesmo tempo permissivo, questionei sobre nossa amiga e ela me contou tudo... Que o príncipe obviamente era sapo, e não procurava uma princesa e sim muitas pererecas; que nossa amiga estava triste e desolada, porque até o plebe agora a evitava. Me entristeci, e então perguntei:
—Mas Ela não estava feliz? Ela tinha esperado tanto!
A confidente me olhou, deu um gole no seu drinque, mirou um outro rapaz e disse:
—Eu aprendi que não são as pessoas que nos decepcionam e sim nós que esperamos muito delas.